Ringue, saco de pancada, suportes e luvas… o equipamento usado em artes marciais é comum nas academias, mas, neste caso, há particularidades que os centros de treinamentos tradicionais não oferecem: pé na areia, brisa do mar e a praia como plano de fundo.

O Boxe de Praia, como é conhecido, nasceu nas areias da Barra da Tijuca em 2015 e desde então vem se popularizando e ganhando espaço em outras praias Rio a fora. Idealizada pelo treinador Moacyr Lima, que atualmente preside a Federação de Boxe de Praia do Rio de Janeiro (FEBOP-RJ), a luta segue as diretrizes do boxe de arena mas possui algumas adaptações que dão mais dinamismo e leveza à modalidade. Ringue menor, rounds reduzidos à um minuto e meio, luvas maiores e atletas descalços são algumas das características próprias do Beach Boxing.  

Apesar das regras ajustadas, a praia é o grande diferencial para quem pratica a modalidade. A união das artes marciais com a energia da praia, que é a identidade do carioca, cria uma atmosfera diferente para os lutadores. “A possibilidade de sair do treino e dar um mergulho faz com que o atleta já saia energizado para encarar o dia. São só benefícios, alivia o estresse, vai trabalhar mais tranquilo, sai renovado”, afirma Moacyr.

O esporte reúne praticantes de diversas artes marciais, como MMA, Muay Thai, Jiu Jitsu, Kickboxing, além de ter apoio de atletas profissionais e campeões renomados na promoção de competições. Só em 2019 a Federação já organizou mais de 15 eventos entre etapas masculinas, femininas e infantis, e registrou um aumento de 80% na procura pela modalidade. A projeção é de crescimento para a próxima temporada já que o boxe nas areias contempla também iniciantes e pessoas que buscam melhorar qualidade de vida através de atividades esportivas.

“O aluno não precisa necessariamente competir, ele vem fazer o BeachBoxing como esporte. Para cuidar da saúde, se sentir bem, melhorar a autoestima e ter a experiência de colocar uma luva, bater um saco na areia”, explica o treinador.

Segundo Moacyr o esporte ajuda a fortalecer a musculatura, estimula o equilíbrio e da maior resistência por ser na areia. Com a chegada da alta estação muitas pessoas procuram a atividade para tonificar o corpo e perder peso, em uma única aula o gasto energético pode chegar à 1000 calorias.

Os treinos são ministrados na praia do Pepê, na Barra da Tijuca, e, segundo o treinador, não há restrição de idade, até idosos são bem recebidos no pedaço de areia em que acontecem as atividades do grupo. “Somos uma família diversa, com rotinas diferentes, tudo bem eclético, mas o importante é que todo mundo respeita o espaço e a individualidade de cada um”, ressalta.

Estrella Boggild foi a primeira atleta feminina e uma das alunas que acompanhou o início das lutas na Praia do Pepê. Socióloga e modelo publicitária, ela conta que nunca imaginou fazer boxe pela falsa ideia de ser um esporte muito masculino mas resolveu experimentar quando viu as aulas na praia. Treinando há 5 anos, ela descontruiu a ideia que tinha sobre o esporte, participou do crescimento da modalidade e se profissionalizou.

“Achava impossível porque eu não tinha berço de luta, mas com o incentivo dos treinos comecei a competir e me dei bem. Ganhei 10 vezes direto e na 11ª entrei na equipe profissional”, lembra.

O gosto pelas artes marciais foi tanto que atualmente Estrella pratica o boxe tradicional. No Rio há 6 anos, ela afirma que os treinos na areia também foram importantes para socializar, fazer amigos e perceber a essência do carioca.

A integração do esporte com a praia aproxima as pessoas e proporciona experiências diferentes para cada um. “Fazer um exercício físico e ver essa paisagem todos os dias é um privilégio para poucos. Tem tudo a ver com a orla”, afirma a atleta. 

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