Em um passeio pela praia é comum vermos mulheres ocupando diversos locais de trabalho, da areia ao calçadão, mas nem sempre foi assim. No Brasil, em um passado não muito distante, as mulheres, sobretudo aquelas que eram casadas, não tinham autonomia e precisavam da autorização do homem para trabalhar fora, abrir uma conta no banco e até mesmo ter um estabelecimento comercial de qualquer natureza. As solteiras também não eram bem vistas pelo mercado. 

As mulheres eram consideradas incapazes até 1962, quando um estatuto ampliou seus direitos e aboliu as proibições contidas no chamado Código Civil de 1916. A oficialização da igualdade de direitos e deveres civis entre mulheres e homens, porém, só foi expressa com a Constituição de 1988. De lá pra cá, elas foram conquistando seus direitos, ocupando espaços e se tornando protagonistas de suas próprias histórias. Ainda assim, segundo uma pesquisa do Sebrae, o número de mulheres donas de negócios é 40% menor se comparado ao de homens.

É o caso de Leona Bulhões, que há 29 anos se divide na operação do quiosque Du Leblon e na educação da filha, que atualmente ajuda na administração do negócio. Formada em matemática, a maranhense chegou ao Rio nos anos 90 para viver uma história de amor e se viu encantada pela praia, pelo Rio e, principalmente, pela forma calorosa que foi acolhida no Leblon, local onde trabalha e passa a maior parte dos seus dias desde então. 

“Estar nessa posição de ter uma empresa é muita responsabilidade em função dos que tanto lutaram para que isso fosse possível. Eu já cheguei encontrando o terreno pronto, com oportunidades que só vieram porque muitas mulheres se sacrificaram para que esse mundo fosse melhor”, lembrou Leona ao ser questionada sobre o seu trabalho à frente do quiosque. 

Alguns quilômetros distante dali, na Barra da Tijuca, um quiosque de referência carrega há décadas o nome de uma mulher: Augusta. O “tia” veio do tratamento carinhoso daqueles que viram o negócio começar e se consolidar na altura do Quebra Mar. Desde 1996, o quiosque é administrado por Maria Fernanda, que toca sozinha o empreendimento desde que a mãe faleceu, mantendo vivos os ensinamentos e a essência do quiosque.  

“No início foi difícil. Depois da morte da minha mãe ter que assumir aqui no dia seguinte e trabalhar encarando todo mundo perguntando por ela, foi a maior dificuldade que passamos e muito marcante pra mim”, lembra Fernanda, que sempre foi o braço direito da mãe no quiosque. 

Mesmo com todos os contratempos, o Tia Augusta sobreviveu graças à determinação de Maria Fernanda, que firmou na praia a sua história.

“Hoje quando me perguntam qual é a sua profissão eu posso responder que sou empresária. Tenho um CNPJ no meu nome, tenho vários funcionários e fornecedores que dependem da minha empresa, todos legalizados. Não há maior felicidade que isso”, afirma.  

E o que essas duas histórias têm em comum? Muitas coisas, começando pelo fato de serem mulheres, mas principalmente a história de superação do luto e trabalho árduo, verão após verão, para manter de pé um sonho que se tornou delas também. E ser mulher é isso, é ser sinônimo de luta. Por isso, neste 8 de março queremos que todas que constroem conosco a nossa praia sintam-se homenageadas. Que a trajetória de cada uma seja sempre uma inspiração. 

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