Milhares de mensagens nas redes sociais, slogans publicitários de variados tipos, demonstrações de afeto, flores, homenagens e felicitações por toda parte, assim começa o dia 8 de março na atualidade. Com o passar dos anos a data ganhou tom comemorativo e foi sendo incorporada ao calendário do comércio com a venda de chocolate, cosméticos e outros “mimos”. Apesar dos gestos de carinho serem justos e sempre bem-vindos, é necessário lembrar o real significado deste dia – que vai além dos presentes. 

A trajetória das mulheres sempre foi marcada por lutas. Entre os séculos 15 e 17, aquelas que resistiram às imposições abusivas feitas pela igreja foram consideradas bruxas e queimadas em praça pública. No século 19, as primeiras organizações femininas começaram a surgir em função das péssimas condições de trabalho introduzidas pela Revolução Industrial, em vários países da Europa e nos Estados Unidos. A maior parte da mão de obra na indústria têxtil era feminina. 

Um dos grandes marcos dessa luta aconteceu em 1857, quando um incêndio atingiu uma fábrica em Nova York. Os proprietários eram acusados de trancar os funcionários durante o expediente para conter greves e motins, por isso, cerca de 129 mulheres morreram carbonizadas sem conseguir escapar do fogo.  

Registros históricos apontam que o primeiro “ato” de dia da mulher foi em 1908, nos Estados Unidos, quando cerca de 1500 mulheres se reuniram em uma manifestação exigindo igualdade política no país. No ano seguinte, o mesmo protesto reuniu 3 mil mulheres e resultou em uma greve que fechou mais de 400 fábricas nos EUA. 

Com a Primeira Guerra Mundial, a partir de 1914, novos protestos surgiram, mas foi somente no dia 8 de março de 1917 que a data ficou consagrada. Na ocasião, cerca de 90 mil operárias russas protagonizaram uma manifestação que ficou conhecida como “Pão e Paz”, reivindicando melhores condições de trabalho e pedindo o fim da fome. Até hoje essa greve é considerada por muitos historiadores como ponto de partida, tanto para a Revolução Russa que se iniciou no mesmo ano, quanto para difundir o Dia da Mulher por todo mundo.

Desde então a data passou a ser celebrada e usada para lembrar dos movimentos levantados por mulheres. Em 1945, a Organização das Nações Unidas (ONU) assinou o primeiro acordo internacional que firmava princípios de igualdade entre homens e mulheres. Nos anos 60, o movimento feminista ganhou corpo, e em 1975, ano que a ONU intitulou de Ano Internacional da Mulher, o “8 de março” foi reconhecido oficialmente. 

Historicamente, o 8 de março lembra das conquistas políticas e sociais das mulheres, mas, apesar dos avanços, ainda há muito o que lutar. Por direitos, liberdade, igualdade e contra a violência. E essa não é uma luta apenas de mulheres, é de todos. 

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