Na última semana, imagens e vídeos de grandes ondas na entrada da Baía de Guanabara tomaram as redes. Veteranos do surf em ondas gigantes como o parceiro da Orla, Carlos Burle, foram se aventurar nas ondas que passaram dos 5 metros, algo totalmente atípico no litoral carioca. A “Besta”, como é chamada a onda rara que despertou na última quarta-feira (21) no Rio de Janeiro, é um fenômeno conhecido no universo do surf como onda de laje que quebra em condições climáticas específicas, sobre uma bancada de pedras. 

As lajes ocorrem no meio do mar, normalmente em áreas com “fundo” plano de pedra, que ficam longe da praia ou mesmo entre as rochas que dividem as faixas de areia da orla. E, diferente do que muitos acreditam, esses locais são fixos, ou seja, estão lá desde sempre, as ondulações que variam quando há instabilidade climática e incidência de ressacas.  

O Brasil não é palco de etapas de ondas gigantes do circuito mundial, por isso, ao menor sinal de ressaca e tempo favorável, os ‘big riders’ já ficam a postos para a chance de matar a saudade das grandonas nas lajes. Isso acontece porque, embora bem distantes dos picos de Nazaré (Portugal), Jaws (Hawaii) e Mavericks (Califórnia), as lajes são points cobiçados por proporcionarem ondas extraordinárias e desafiadoras. 

Para alcançá-las, somente de barco, remo ou jet ski, já que o acesso normalmente é difícil e bastante perigoso devido às condições climáticas. Geralmente, para surfar nas lajes é preciso um esquema de logística com equipe para resgate e equipamentos especializados visto que há muitos riscos. Dependendo das condições, a profundidade do mar no entorno pode ficar muito fundo ou quase seco nas pedras quando a onda se forma, portanto um erro pode resultar na queda do surfista sem a água para amortecer, por isso, é recomendável apenas para surfistas experientes.

O desafio fica ainda mais interessante porque a combinação necessária de vento, maré e ondulação precisa ser bem específica para a onda na laje acontecer. No caso da Laje da Besta, um ciclone subtropical que atingiu o sudeste foi o responsável por criar as condições favoráveis para “despertar” o mar e deixar a Baía de Guanabara com a carinha de Havaí. Localizada entre o Forte de Santa Cruz, em Niterói, e o Pão de Açúcar, a Laje da Besta é uma de várias no Rio de Janeiro. Umas já foram bem exploradas, outras ainda não tiveram seu momento de glória e algumas sequer chegam a ser divulgadas, os chamados secret points.

Confira algumas das lajes famosas no Rio:

Laje do Sheraton
Localizada na prainha do Vidigal, entre o mirante e o antigo casarão, no ponto conhecido como cantão. Ficou muito conhecida em dias de grandes ondulações, mas o que muita gente não sabe é que também é possível surfá-la em dias medianos.

Laje de Ipanema
O local fica na altura do posto 8, mas centenas de metros mar adentro. Com as condições propícias, a laje forma tubos perfeitos, daqueles que todo surfista sonha em encontrar um dia.

Laje do Gardenal
Ocorre a 2km da praia da Barra, próximo às ilhas Tijucas. É considerada uma das mais perigosas do país devido a sua profundidade e o fato da onda quebrar na ponta de uma pedra rasa, quase nem coberta pela água.


Laje da Ilha Mãe
Fica próximo de uma ilha na entrada da Baía de Guanabara, em Niterói, é rara. Para quebrar ela exige uma combinação difícil de acontecer: ondulação grande de leste com vento sudoeste. Mas quando os astros se alinham e isso acontece, a recompensa é grande.

Laje do Shock
Localizada em Itacoatiara, na região oceânica de Niterói, a laje ganhou muita notoriedade nos últimos anos devido ao fácil acesso. Nela quebra um tubo bem grande, considerado um prato cheio para os destemidos. 

Laje da Manitiba
Perto de Saquarema, cerca de 200 metros da praia de Jaconé. O local já foi chamado de Brazilian Teahupoo, por publicações internacionais. Ali, forma-se um tubo seco e bem raso. A pedra fica mais alta, então o risco é igualmente alto para quem se arrisca no local.

ShoreBreak de Copacabana
Considerada uma das ondas mais perigosas do Rio de Janeiro, próxima ao Forte de Copacabana, no Posto 6, sobre uma bancada de pedras muito rasas. Forte e tubular, o ShoreBreak de Copacabana é quase exclusivo para bodyboarders, pois o risco de se destruir uma prancha é alto. 

Fonte: Red Bull; Nob Sports

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