Voar, de acordo com o dicionário, significa se sustentar e se mover no ar por meio de asas. A ação, que é natural apenas para alguns animais, passou a ser possível ao ser humano graças às técnicas de voo livre, desenvolvidas desde os anos 80. Hoje em dia, o sonho de voar é muito mais acessível e as técnicas seguras. 

No Rio, a prática chama atenção de cariocas e turistas de todos os lugares do mundo, principalmente pela paisagem impressionante. O point de voo na cidade fica na Pedra Bonita, sendo o pouso feito na praia de São Conrado. Do alto, tem-se uma visão privilegiada da orla, da Pedra da Gávea e de diversos pontos turísticos como o Cristo Redentor. A sensação é de estar, literalmente, voando sobre as águas, com vento no rosto e o coração cheio de adrenalina. 

Para conhecer uma nova perspectiva sobre esse esporte emocionante e encorajar os mais medrosos, nós conversamos com um expert no assunto: Mahmoud, instrutor de parapente da Tandem Fly Rio, com mais de 25 anos de experiência. Confira o bate-papo: 

1. Nos conte a sua história.
Nasci no Cairo, no Egito, e aos 17 anos fui para Londres, onde morei por 25 anos. Em 1996, mudei definitivamente para o Brasil. 

2. Sempre quis fazer voo livre?
Eu já tinha experiência com voos na Inglaterra, na época pilotava pequenos monomotores e acabei desenvolvendo uma paixão por voar, mas nunca havia pensado em voo livre até chegar ao Rio de Janeiro.   

3. Como foi que você começou no esporte?
Ao chegar na orla de São Conrado, vi alguns pilotos voando e pensei “vou praticar este esporte”. No dia seguinte já estava no Clube de Voo livre contatando um instrutor e a partir daí iniciei minha trajetória de voos pelo Brasil, conhecendo rampas e participando de alguns campeonatos ao longo desses 26 anos.

4. Porque você escolheu o parapente ao invés de asa delta?
Escolhi o Parapente por me parecer mais fácil, mais prático, mais compacto de carregar. Busquei apenas uma maior praticidade de transporte e manutenção do equipamento.


5. Quais são as dicas que você dá para quem vai voar pela primeira vez?
Quando recebo um passageiro pela primeira vez, meu ritual é mostrar as belezas e paisagens de São Conrado. Depois gosto de conversar com eles sobre a expectativa do que será a experiência. É natural que sintam medo, é algo que a maioria das pessoas sente antes do voo, às vezes, as pessoas ficam com medo de admitir que têm medo.

6. E como vencer essa barreira do medo?
Eu busco desmistificar a relação de voar com o medo da altura. Voar é seguro e mais tranquilo do que as pessoas imaginam. Depois é trabalhar a respiração e a tranquilidade para o momento de decolagem, que é único.

7. Você trabalha com algo que é o sonho de muitas pessoas, como você se sente fazendo isso?
Em certa altura da minha carreira, percebi que não sou instrutor ou piloto de voo duplo, mas tenho uma missão. Ficou muito claro para mim que fui abençoado com o dom e a missão de realizar os sonhos e desejos das pessoas. E quanto mais eu voava mais eu tinha certeza, para mim, não é um trabalho, mas sim uma missão. As pessoas que chegam à praia para voar comigo não são as mesmas que saem, passam por uma grande transformação, vivenciam algo que nunca souberam que existia, vivenciam a liberdade e a magia de voar, flutuar e planar com segurança no ar sem motor, em silêncio e serenidade total. 

Imediatamente após a decolagem, todos percebem que não havia necessidade de ter medo, em vez disso, começam a curtir a beleza e a magia da experiência. Alguns ficam tão relaxados que me pedem para fazer algumas manobras para ter mais emoção ou uma dose extra de adrenalina. Realizar o sonho de alguém proporcionando uma sensação única e um sentimento inexplicável não tem preço. Saber que eu pude contribuir para as pessoas perceberem que nada é impossível e que todos os sonhos podem se tornar realidade me faz voltar para casa toda vez em total gratidão.

8. O que as pessoas costumam dizer assim que pousam?
“Esta é a melhor coisa que já fiz na minha vida”.

9. Tem alguma história, pessoa ou acontecimento que te marcou nesses anos todos de profissão?
São duas ou três experiências muito especiais que tive com pessoas com alguma deficiência física, mental ou de saúde que marcaram a minha vida. São momentos que guardo no coração e na alma, por exemplo chorar junto com alguém no ar e sentir sua felicidade, gratidão e alegria por ter a chance de fazer o que está fazendo. É uma experiência de vida que nem todo o dinheiro do mundo pode comprar. Amo o meu trabalho e sou eternamente grato por ter sido abençoado pela chance de ser um realizador de sonhos.


Conheça a Tandemfly Rio e venha voar com o Mahmoud.
www.tandemflyrio.com/pt | @tandemflyrio
Agendamentos: 21 98181-0333
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