Um estudo publicado na revista “Nature” revelou que a população global de tubarões e raias caiu 71% nos últimos 50 anos. A pesquisa liderada pela Universidade Simon Fraser, no Canadá, aponta que a principal causa da diminuição populacional desses animais é a pesca comercial — que também pode ser impactada por esse declínio. Os dados divulgados no início de 2021 foram os primeiros a analisar uma escala global das espécies e já alertam para o fato que atualmente muitas espécies estão em risco de extinção.

A estimativa foi baseada em novos dados sobre as 31 espécies de tubarões e raias oceânicas que figuram na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e sobre as outras 18 que aparecem no Índice Planeta Vivo. Também foram consideradas informações sobre a pesca e o mercado. Os declínios atingiram primeiro as espécies maiores e depois animais menores com o passar do tempo. O risco de extinção é cada vez maior para grandes espécies até mesmo nos maiores e mais remotos habitats do planeta, onde muitas vezes se acredita estarem protegidos da influência humana.

Entre os animais criticamente ameaçados de extinção estão três espécies de tubarão cujas populações diminuíram 80% no período analisado. Uma delas é o galha-branca-oceânico (Carcharhinus longimanus), que antes era o tubarão mais comum em águas tropicais. As outras duas são o tubarão-martelo-recortado (Sphyrna lewini) e o tubarão-martelo-panã (Sphyrna mokarran) — curiosamente, o tubarão-martelo liso (Sphyrna zygaena) é a única espécie cuja população está crescendo. Entre as raias ameaçadas, está a da espécie manta (Mobula birostris). 

O papel da pesca

De acordo com o estudo, embora tubarões e raias possam ser afetados por ataques de navios, perfuração de petróleo e gás e, cada vez mais, pela crise climática, a pesca foi a principal causa do declínio — a pressão causada pela atividade nos ecossistemas aumentou 18 vezes. Além disso, boa parte dos tubarões são mortos sem intenção por pescadores que usam redes para capturar outras criaturas marinhas. Por outro lado, as barbatanas desses animais possuem valor milionário em algumas partes do mundo, por isso, alguns pescadores caçam tubarões, cortam suas barbatanas e os “devolvem” ao mar ainda vivos. O tubarão sem as barbatanas não tem chance de sobreviver, mas, para a pesca criminosa não compensa carregar o peixe inteiro. 

As medidas de conservação impostas nos oceanos Atlântico e Pacífico após os anos 2000 fez o declínio no número de tubarões e raias se estabilizar. Já no Oceano Índico, essa taxa diminui continuamente desde 1970, com uma queda estimada de 84% na população geral.

Os tubarões e raias estão no topo da teia alimentar marinha, o que os torna muito importantes para a manutenção dos ecossistemas, por isso, prezar pela conservação das espécies é tão importante. O declínio contínuo mostra que não estamos protegendo uma parte vital dos ecossistemas oceânicos.

Fonte: Galileu

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