Nesta quinta-feira, dia 27, é comemorado o Dia Nacional da Mata Atlântica, onde são propostas reflexões sobre conscientização e preservação. A data foi instituída através de um Decreto Presidencial em 1999 e o dia 27 de maio foi escolhido em memória da famosa “Carta de São Vicente”, onde o Padre Anchieta teria descrito pela primeira vez as belezas das florestas tropicais do Brasil, em 1560. No entanto, pouco mais de 20 anos depois da oficialização da data, não há muito o que comemorar. 

Originalmente, o bioma ocupava mais de 1,3 milhões de km2, presente em 17 estados do território brasileiro, estendendo-se por grande parte da costa do país. Foco de exploração desde a chegada dos europeus, a atual condição da Mata Atlântica é preocupante. Estima-se que exista apenas 12,4% do bioma natural, sendo o restante devastado pelo processo de crescimento dos grandes centros urbanos e pela atividade rural. Também estima-se que 60% de todos os animais em extinção no Brasil dependam deste bioma para a sua sobrevivência.

As estatísticas mais recentes mostram que o desmatamento vem se intensificando a passos largos em 10 dos 17 estados, entre eles Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo, no sudeste, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, no sul, Ceará, Alagoas, Rio Grande do Norte, no nordeste, e Mato Grosso do Sul e Goiás, no centro-oeste. Destes, São Paulo e Espírito Santo são os que estão em situações mais alarmantes: os dois tiveram, entre 2019-2020, uma degradação que ultrapassa a marca dos 400%. Ambos são estados que já estavam muito próximos de zerar o desflorestamento e agora voltam a mostrar aumentos expressivos.

Para se ter dimensão, nos últimos dois anos foram desmatados 218 hectares de Mata Atlântica em todo o estado de São Paulo, um aumento de 406% em relação ao período anterior (2018-2019). As informações são do Atlas da Mata Atlântica, estudo realizado desde 1989 pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgado nesta quarta-feira (26).

Mesmo após anos de exploração, a Mata Atlântica ainda é uma das regiões mais ricas do mundo em biodiversidade e uma importante ferramenta de combate às mudanças climáticas. O alto índice de perda da vegetação nativa, com o crescimento do desmatamento em diversos estados, coloca o bioma em grande ameaça e reforça a necessidade de ações de restauração florestal.

Por isso, é urgente ampliar os projetos de recuperação das áreas afetadas e tornar a recuperação uma prioridade na agenda ambiental e climática, com ações governamentais, fiscalização e a conscientização de que este é um problema que impacta a todos. E todos podem – e devem – contribuir!

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