Em 2005, a organização não governamental Surfrider Foundation e outras organizações internacionais da indústria do surfe criaram o Dia Internacional do Surfe (International Surf Day – ISD). Ele tem como objetivo dar importância e celebrar a cultura de vida do surfe. Além disso, pretende chamar atenção para a proteção ambiental das praias e dos oceanos. Afinal, a praia é a casa do surfe. A data é comemorada anualmente, no terceiro sábado do mês de junho, por vários países do mundo. 

O tema do Dia Internacional do Surfe deste ano (2021) é, em tradução livre, “A Praia Pertence a Todos”, independentemente da raça, situação financeira, gênero ou localização geográfica. Afinal, a praia é o lugar mais democrático, que abraça a diversidade. Ela deve ser um ambiente saudável, seguro e acessível para todos e todas. Este ano já é a 17ª edição do ISD e a intenção, como todos os anos, é celebrar o esporte do surfe e incentivar a proteção e a limpeza das águas, para deixar as praias saudáveis. 

Para o surfista Carlos Burle, bicampeão mundial de ondas grandes, o surfe foi mais do que um esporte, foi uma cura para sua saúde. Burle, com dois anos, não conseguia dormir direito, então, sua mãe o levou ao médico e o doutor disse para levá-lo ao mar. Com isso, ele começou a dormir melhor e ter o sono regular. A partir daí, começou a ter uma relação muito boa com o mar, antes mesmo de se tornar surfista.

Por volta dos 12 anos, Carlos Burle começou a se conhecer mais e a desenvolver um gosto grande pela natureza. Quando encontrou o surfe, se apaixonou. Segundo ele, é um esporte que proporciona qualidade de vida e relacionamento com a natureza, que Burle sempre valorizou. Nos anos 80, porém, o surfe era rodeado de preconceitos, com imagem marginalizada, relacionada a ser vagabundo e usar drogas. O surfista, porém, enfrentou as discriminações e correu atrás do que queria para sua vida. 

Percebi, desde o começo, que as maiores ondas que eu iria surfar não eram dentro d’água, mas fora. Havia um preconceito muito grande, mas eu coloquei na minha cabeça que precisaria trabalhar com minha comunidade para mudar esta imagem. É uma história muito longa, com altos e baixos, mas olha onde o surfe chegou: nas olimpíadas! Isso, para mim, é a construção de um sonho incrível, que parecia muito distante.”, relata Burle.

Carlos Burle diz que o surfe transformou a sua vida e o trouxe uma relação muito próxima e especial com o mar e com o meio ambiente, que envolve conscientização à sustentabilidade e à preservação dos oceanos. Para Burle, o surfe é mais que um esporte, ele é um ferramenta de transformação social e importante à saúde. 

Eu via meus amigos indo para a noite, e, lá, a vida não é muito saudável. Na maioria das vezes, tem drogas. Eu saí deste roteiro para ser um surfista profissional: dormir cedo, acordar cedo, comer bem e treinar. Eu vejo o surfe como uma ferramenta de transformação social, de aprendizado, de respeito à natureza. Não só melhora a qualidade de vida, mas a saúde emocional. O surfe traz muita coisa: respeito, gratidão, resiliência, saber cair e levantar, ter paciência e humildade.”, declara o surfista. 

O amor ao surfe é tão grande que se transformou em um projeto, o Burle Experience, que tem a Orla Rio como uma das patrocinadoras. O objetivo da iniciativa é desenvolver um estilo de vida com atividades que se complementam e produzem bem-estar, com foco no surfe. 

Viva o surfe!

Carlos Burle | Surfe
Carlos Burle – surfista e instrutor e idealizador do projeto Burle Experience

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