A produção excessiva de lixo tem levado à contaminação dos oceanos. No Oceano Atlântico, o volume de microplásticos poluentes varia entre 12 e 21 milhões de toneladas a cada 200 metros de profundidade, o que é 10 vezes mais do que as previsões anteriores apontavam. As roupas, feitas em sua maioria com fibras têxteis sintéticas de plástico e materiais como poliéster, são uma das grandes responsáveis pela poluição dos oceanos.

Uma peça de roupa demora em média 50 anos para se decompor, além disso, a cada lavagem partículas de microplástico se desprendem e acabam sendo enviadas para o esgoto, indo parar no ambiente. A estimativa é de que 85% dos produtos da indústria têxtil do mundo vão parar nos aterros sanitários e quase 20% de toda água de resíduo dos processos de fabricação de tecido carrega substâncias químicas poluentes. Por isso, repensar os hábitos de consumo é cada vez mais urgente e necessário. 

Apesar do problema, uma pesquisa recente identificou uma tendência entre jovens de consumir marcas ecologicamente conscientes, assim, empresas do universo da moda têm buscado alternativas para reduzir os impactos ambientais durante a confecção e oferecer produtos mais sustentáveis. Ouvindo o desejo por produtos sustentáveis, a aposta tem sido nas roupas biodegradáveis.

Produzidas a partir de fibras de poliamida biodegradável, as roupas têm um tempo de decomposição muito menor, cerca de 3 anos, se descartado corretamente. Atualmente já é possível encontrar camisetas, roupas de ginástica, roupas íntimas e de moda praia feitas totalmente em tecidos biodegradáveis. 

Outra opção biodegradável usada na indústria da moda é a fibra EcoVero, produzida a partir de fontes sustentáveis de madeira e que leva somente de 1 a 5 meses para se decompor na natureza. Algumas marcas famosas já oferecem peças confeccionadas com essa viscose de menor impacto ambiental. 

Além das fibras biodegradáveis tecnológicas, há também a opção do algodão orgânico certificado, que é uma matéria-prima menos agressiva ao meio ambiente. As peças feitas com esse tipo de algodão podem ser colocadas em composteiras, para se tornarem adubo para estimular o crescimento de plantas e restaurar a vitalidade do solo.

Dar preferência a peças biodegradáveis é uma escolha consciente para reduzir o impacto do consumo. Além disso, outras atitudes podem fazer a diferença, como buscar prolongar a vida útil das roupas, optar por peças de maior qualidade e durabilidade e pensar se aquela peça não pode servir para outra pessoa antes de descartá-la. Mesmo esgotadas as alternativas, é fundamental fazer o descarte com responsabilidade, afinal, quando ‘joga-se fora’, o ‘fora’ ainda é no meio ambiente.

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