Somente reciclagem não resolve poluição plástica 

Somente a reciclagem não resolve a poluição plástica 

Lavar embalagens e separar materiais em lixeiras coloridas pode até ajudar, mas está bem longe de ser a solução definitiva para o problema de poluição causada por plásticos no planeta Terra. É o que afirma Kristian Syberg, pesquisador de risco ambiental na Universidade de Roskilde, na Dinamarca, em artigo sobre reciclagem publicado na revista Scientific American. 

Segundo o especialista, o foco extremo na reciclagem acaba atrapalhando o entendimento da questão do consumo de plásticos como um todo e desvia as atenções das reais raízes e possíveis soluções para o problema da poluição gerada por este tipo de material.

Muito antes de reciclar, o caminho ideal para transformar a economia do plástico está em consumir menos — muito menos. Isso porque, quando pensamos no ciclo de redução, reutilização e reciclagem do plástico – três palavras que viraram febre em discussões ambientais — a reciclagem deveria ser a última etapa de um tratamento gradativo.

Mas, em vez disso, usamos o conceito como um ‘trunfo’ capaz de suplantar um consumo exacerbado e baixos índices de reutilização.

“A ideia de que a reciclagem é a solução ideal baseia-se no pensamento de que um sistema de circuito fechado quase perfeito pode ser alcançado e que, se os materiais forem mantidos na cadeia de valor circular, podemos usá-los indefinidamente. Infelizmente, isso está longe da verdade”, diz Syberg.

Dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostram que apenas 15% dos resíduos plásticos são coletados para reciclagem e, desse total, 40% são descartados no processo de reciclagem, devido à sua baixa qualidade. Como resultado, as taxas reais de reciclagem de plástico rondam os 9%.

Além disso, a maior parte do plástico coletado nos domicílios que acaba indo para a reciclagem tem natureza heterogênea, o que faz com que o produto da reciclagem seja de uma qualidade inferior ao plástico original. 

Economia sustentável

Um documento estratégico publicado pela Comissão Europeia em janeiro 2018 descreve mudanças que devem ser feitas para uma economia mais sustentável e cita a palavra ‘reciclagem’ ou sinônimos dela 144 vezes, enquanto similares a ‘reutilizar’ e ‘reduzir’ aparecem 12 e 18 vezes, respectivamente.

Como resultado, os estados membros da Comissão Europeia podem se preocupar em implementar medidas para aumentar a reciclagem e, com isso, não dedicar esforços para qualquer meta de redução.  

Para o pesquisador, é essencial que o tratado sobre plástico das Nações Unidas busque não apenas aumentar as taxas de reciclagem, mas também reduzir o consumo de plástico e de outros recursos que o plástico nos permite consumir. 

“A Irlanda, por exemplo, foi um dos primeiros países da Europa a cobrar uma taxa sobre as sacolas plásticas. Essa política resultou em uma queda de 90% no consumo e na geração de mais de US$ 9 milhões para um fundo público verde”, exemplifica. 

O Recicla Orla realiza na orla do Rio de Janeiro um trabalho de descarte e destinação correta dos resíduos que são produzidos pelos quiosques das praias cariocas. Além disso, a instituição realiza regularmente mutirões de limpeza nas areias das praias, com objetivo de reduzir o impacto da ação humana sobre as belezas naturais da cidade maravilhosa. Esta é uma das iniciativas da Orla Rio aliada às práticas ESG e que contribuem para o meio ambiente e o ecossistema do Rio. 

Fonte: Redação Byte

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